Wings for Life World Run 2016 – Portugal – Porto

Não é muito fácil descrever a Wings for Life World Run 2016 – Porto. Foi um evento sensacional, com uma organização excelente, e voluntários e participantes espectaculares.

A Wings for Life World Run

A Wings for Life World Run é uma corrida que ocorre em simultâneo em 34 pontos do mundo. Todos os participantes partem à mesma hora (12:00 GMT), e meia hora depois parte um carro meta, sendo que os 30 carros meta se deslocam à mesma velocidade.
Continuas em prova até o carro meta te apanhar, e para além de competires com as pessoas na tua localização, estás a competir com as pessoas nas outras 30 localizações.

O evento é totalmente e completamente solidário, a totalidade das receitas são aplicadas na investigação de soluções/curas para os problemas da espinal-medula. Sendo que este ano foram angariados 6.600.000€.

A secção de Atletismo do Sport Clube Beira-Mar em conjunto com a Primus Vitoria criaram uma equipa (com atletas da secção, convidados e vencedores de um passatempo) que participou nesta prova, contribuindo assim para a sua divulgação. Sendo que eu fui convidado a integrar a comitiva.

O Dia

Depois das organizações logísticas, fui de Aveiro com o Alex, de boleia com o Luís e a Ester, e apanhamos outro Luís em Esmoriz. Encontramos o resto da equipa no estacionamento subterrâneo do Castelo do Queijo (a poucos metros do ponto de chegada.

Fomos deixar uns sacos ao bengaleiro e quando estávamos todos prontos para apanhar o autocarro para o ponto de partida (na Rotunda da Boavista), começou a chover torrencialmente. Entrei no autocarro completamente ensopados.

Já na Boavista a chuva tinha parado, e começava a brilhar o sol. Encontramos o Bruno que também integraria a comitiva. Fomos para a linha de partida, tentando furar o mais para a frente possível. Cruzei-me com vários amigos e amigas, da Happy Run Team, dos Lion Runners, do CMMC de Albergaria a Velha, de outros grupos ou de nenhum grupo.

Às 12:00 em ponto deu o tiro de partida, e lá fomos Avenida da Boavista abaixo, a encher a Avenida.

A corrida

Tinha andado a usar o simulador e estava a tentar fazer os 21km antes de ser apanhado pelo carro meta.

Assim que comecei a correr, começou a dar-me fome, e comecei a sentir a bexiga cheia. Caiu a ficha que tinha tomado o pequeno almoço quatro horas antes – ou seja, deveria ter lanchado e não o fiz. Mesmo assim, como estava a correr bem continuei à velocidade a que seguia.

Viramos para Aldoar, fui ultrapassado pelo Emanuel que me disse olá, e ao passar em frente ao Queimódromo não aguentei e tive de ir a uma árvore. Passamos a rotunda da Anémona e apanhamos o abastecimento dos 5 km, onde agarrei uma garrafa de água para me molhar. A fome começou a apertar e meti à boca uma das 4 uni-doses de gel que levava.

Fomos pela Foz abaixo, e quando já no Passeio Alegre ou no Ouro (não me lembro da precisão), a Liliana dos Shots International Runners passou por mim e apontou para o outro lado do rio onde se via o primeiro participante.

Estava a pensar em tomar o gel ao 10km, mas ao chegar lembrei-me que tinha lido que os abastecimentos seriam aos 2,5 km, 5 km, 7,5 km e de 5 em 5 km a partir dai. Acabei por decidir toma-lo no km 12, o que vi mais tarde que foi um erro, já estava a morrer.

Continuamos em direcção à Ribeira, passamos o túnel e a Ponte D. Luís. Olhei para o relógio aos 15 km, e reparei que ia bem, 15km em 1h13, dois minutos abaixo do tempo que fiz na semana anterior numa corrida de 15 km.

Com 15 km já ia a desacelerar há uns 3 km (devia ter tomado o gel ao km 8 ou 9), não sabia ainda que tinha acabado de bater os meus records aos 5 km, aos 10km e à hora. Comecei realmente a pagar a velocidade que levava e a má estratégia alimentar. Tenho andado a treinar correr mais rápido, no entanto, para os 10km, e não me tenho realmente andado a aventurar distâncias maiores.

Por esta altura meti na cabeça que conseguiria fazer os 21,1km em 1h45, e ignorei o cansaço, a vontade de desistir e continuei, e lá fui pelo Cais de Gaia.

Na Afurada ultrapassei a Rosa Mota e fui ultrapassado pela Flor Madureira. Vi que ia com 19km e 1h34, tentei mandar um sprint para fazer os 21,1 km abaixo da 1h45, mas as pernas já não respondiam acabei por faze-los com 1h 45 minutos e 31 segundos.

Por esta altura apanhei o Bruno que me disse que o carro meta deveria estar a chegar. E sinceramente, na altura só conseguia pensar em ver o fim daquilo. Mas quando o km 22 apareceu, o objectivo passou a ser chegar ao km 23.

É curioso agora verificar que depois de levar com a marreta, continuei a rolar à velocidade com que costumava fazer as provas de 10 km à 7 meses atrás.

No km 23 fui ultrapassado por um carro que me disse que o carro meta estava quase a apanhar-me, mandei um sprint (a 5:30) para tentar chegar ao km24, sendo que o carro meta me apanhou aos 24,05 km com 2 horas e 3 minutos de prova.

Fui a andar à cowboy – esqueci-me de colocar o creme anti-fricção nas virilhas – até ao km 25, e apanhei o autocarro até ao edifício transparente.

Pós-prova

No edifício transparente. Torcemos pelos atletas que ainda continuavam em prova, e quando estes foram apanhados pelo carro meta, esperamos que eles chegassem. Acabou por haver uma vencedora no escalão F18, um
2º classificado no escalão M25, um 3º classificado no escalão M35, um 3º classificado no escalão M40 e um 5º classificado no escalão M30.

Nesta espera descobrimos que a vencedora da edição portuguesa, Vera Nunes, ficou em terceiro lugar a nível internacional (ou seja, foi a terceira mulher de todas as mulheres nos 30 eventos), que a Doroteia Peixoto, venceu no Canadá e o Helder Santos ficou em primeiro lugar no Dubai.

Entretanto chegou a Vera Nunes, extremamente simpática, nem parecia ter acabado de correr 58,8 km em 4h03 e até aceitou tirar uma foto connosco.

Chegaram também o resto dos atletas do Beira-Mar/Primus Vitoria e rumamos a Aveiro.

Uma prova a repetir

Para além de reconhecer o mérito da causa, fiquei mesmo muito contente com a organização da prova.
Se não foi a mais bem organizada em que participei, está lá perto.

  • Os abastecimentos tinham tudo o que é necessário – água, red bull, comida. Estavam bem espaçados (5 em 5 km). Os voluntários foram espectaculares.
  • Havia voluntários ao longo do percurso a animar e a puxar pelos corredores – o que é muito importante.
  • Gostei de ver pessoas em grupo com participantes em cadeiras de rodas.
  • A organização respondeu a todos os posts e comentários no facebook – o que também não é comum nem deve ser fácil.
  • O kit de participante era espectacular, com uma t-shirt excelente e uma toalha.
  • Foi dos únicos sítios em que escreveram o meu nome bem “Joel José”, não o cortaram.
  • Em suma, vamos lá ver se consigo voltar em 2017 para os 30 km.
    Aproveito para deixar a informação que se podem inscrever ao preço promocional de 15€ até 31 de Dezembro.

    Sei que houve alguma confusão pelos abastecimentos não estarem nos locais habituais (ao km 10, ao km 15, e por ai), mas sim ao 12,5 km, 17,5 km, 22,5 km. Mas creio que essa informação era clara, talvez seja uma questão de dar mais enfase na comunicação futuramente.

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