Dia Internacional da Mulher

A Primeira Mulher a Correr a Maratona de Boston

Kathrine Switzer não terá sido a primeira mulher a correr uma Maratona, nem a única a participar na Maratona de Boston de 1966, nem a primeira a acabar.
Mas Kathrine Switzer ficará na história por ter afrontado o sistema, inscreveu-se como “K. V. Switzer” e correu.

Apesar do treinador lhe ter dito que uma maratona era demasiado para uma frágil mulher correr, apesar da Maratona de Boston não permitir a inscrição de mulheres, apesar de a terem tentado remover fisicamente do percurso, Kathrine (com a ajuda do namorado e de outras pessoas) terminou.

Os cinco anos que passaram entre o acto e a admissão de mulheres na Maratona de Boston não terão sido fáceis. a Associação de Atletas Amadores por causa do acto de Kathrine baniu as mulheres de todas as provas. O director de prova da Maratona de Boston terá prestado declarações em como o acto de Kathrine poderia eventualmente trazer o caos à sociedade (e que se fosse o pai dela lhe teria batido). Mas no fim Kathrine e outras (que tinham corrida a Maratona à pirata, sem dorsal) ganharam.

Kathrine ensinou-nos que é preciso desafiar as regras que são injustas. Que é preciso afronta-las.
Ensinou-nos que quem vos diz que não podem fazer uma coisa por que é “demasiado para uma frágil mulher” está errado, e a sua opinião tem de ser alterada.

dia_da_mulher

Em Portugal

Hoje, 50 anos depois de Kathrine ter corrido a Maratona, em Portugal correr tornou-se uma moda. No entanto é estranho verificar que as mulheres continuam a ser discriminadas mesmo quando praticam desporto. Não é uma discriminação tão frontal como no tempo e Kathrine, é algo mais velado, mas que não deixa de ser incorrecto e injusto.

  1. Há provas de atletismo, incluindo algumas organizadas por municípios como o Troféu de Oeiras em que a distância para as corridas das mulheres é metade da distância para a corrida dos homens.
  2. Não há igualdade de escalões. Nas corridas, para dos primeiros a chegar, normalmente há uma classificação para cada um dos escalões etários. Isto é, para além dos homens competirem entre si, quem tem 40 anos, compete com pessoas do seu escalão etário (dos 35 aos 45), e quem tem 65 anos também (com pessoas dos 65 aos 75). Já para as mulheres há quase sempre apenas dois escalões, isto é, as pessoas com idades entre os 18 e os 35 competem entre si, e as que tem 36 e as que têm 65 competem entre si.É algo extremamente injusto, normalmente é apresentada como justificação a disparidade entre os participantes masculinos e femininos. No entanto, tenho visto provas em que há 1/3 ou 40% de mulheres a participar, e há sete escalões masculinos e dois femininos.Destaco aqui por exemplo a RunPorto, que infelizmente continua com essas praticas.Faz parte da responsabilidade social das organizações de eventos desportivos, promover a pratica de desporto e a existência de todos os escalões ajuda a que isso se cumpra. Dá visibilidade e confiança às corredoras.
    Cabe também às entidades que licenciam as provas (Federação Portuguesa de Atletismo, Associações Distritais, Municípios) garantir que estas cumprem os critérios de igualdade.
  3. É transmitido às mulheres que a praticar desporto sozinhas na rua é perigoso – há o perigo de serem assediadas, agredidas, violadas, assassinadas – é algo que é transmitido através da imprensa, da televisão, etc. No entanto isto é totalmente falso, a maioria das agressões, violações e assassinatos a mulheres ocorrem no interior da sua residência e não na rua.

Kathrine Switzer não teria conseguido o seu feito se não tivesse o apoio de outras pessoas. Não por ser uma “frágil mulher” como dizia o seu treinador mas porque a união faz a força. E essa união serviu para garantir que as barreiras que se punham entre Kathrine e aquilo que ela sempre conseguiu fazer eram derrubadas. E é de união que precisamos para derrubar estas barreiras injustas que se colocam entre as mulheres e o desporto.
Eu sei que não são as únicas, que há outras de natureza social e económica, mas, é necessário começar por estas para deixar clara a mensagem que é para todos e está ao alcance de todos.

Sente-te livre de manifestar a tua opinião (mesmo que seja divergente da minha) nos comentários. Caso algo esteja errado ou simplesmente queiras enviar-me o tu feedback, por favor contacta-me.

Comentários
Share