Corrida Cidade de Aveiro 2016

Foi a minha segunda participação na Corrida Cidade de Aveiro. A primeira foi em 2014 depois de um casamento – uma coisa que não recomendo a ninguém.
Basicamente cheguei a casa às 06h, num estado de ebriedade completo, levantei-me às 08h30-09h00 ou lá o que foi, e la fui. Não me recordo bem dos primeiros kms, mas ao 7º acordei e vi que ainda dava para fazer abaixo de 1h, e lá fui.

Este ano a Corrida Cidade de Aveiro calhou no dia seguinte ao Inatel Piódão Trail Running. Inicialmente tinha posto de parte a ideia de participar, mas depois, como vi que algumas das pessoas com quem costumo correr estavam a pensar ir, pensei para comigo, que já que iria correr na mesma nesse dia (correr lentamente no dia a seguir começou a fazer parte do meu processo de recuperação), podia ir à prova para correr para 1 hora, e depois aproveitava e ia fazer uso do serviço de massagens.

Estava um pouco apreensivo porque as corridas de 10 km são lixadas, ainda por cima uma destas com duas voltas. Um tipo até pensa que vai para correr devagar, mas depois quando chega a altura…

De volta à estrada

O dia começou bem, sentia as pernas ligeiramente pesadas, mas não completamente massacradas. Caminhei o km que separa a minha casa e o sítio onde se deu a partida, levantei o dorsal, e voltei para me equipar.

inicio

Para aquecer, fiz o mesmo caminho a correr e a comer um bolo de arroz, coisa que nunca mais faço enquanto me lembrar, já isso provou alguma estranheza em alguns corredores por que fui passando. Para a próxima vou a roer uma maçã.

Estava a haver um aquecimento zumba, ao qual não fui e acabei por encontrar as pessoas com quem costumo correr, no Correr São Bernardo (CSB). Havia estreantes e pessoas a tentar melhorar os tempos. E eu já não sabia o que iria fazer.

Tiramos a selfie do costume, e poucos minutos depois lá se deu o tiro de partida.

Correr em casa é uma coisa completamente diferente de ir correr em qualquer outro lado, acaba por se conhecer grande parte dos participantes e das pessoas que estão a ver – pelo menos de vista. A motivação é maior, e para além disso, havia animadores de rua a fazer claque.

Tentei acompanhar um dos companheiros do CSB que corre a um ritmo mais baixo que o meu, mas ao km 2 deixei-me levar e fui. Fui com boné e sem óculos porque pensei que fosse chover, o que acabou por ser uma má ideia. Acabei por ficar cheio de calor na cabeça, e embora eu veja bem sem os óculos, o facto de estar sempre a mudar o ponto de foco dificultava-me seriamente a capacidade de reconhecer as pessoas.

Lá fui ao meu ritmo, em competição directa com um cavalheiro de impermeável preto da Decathlon e boné. Ao km 9 vi que estava a correr ainda abaixo de 05:00 min/km, e tinham passado apenas 44minutos, ou seja, ainda dava para fazer os 10km em menos de 50 minutos e bater o meu recorde pessoal.

No final.

Comecei então o meu sprint, que terminou na meta aos 49:28 minutos de tempo de chip (e 49:47 minutos de tempo oficial). Menos 50 segundos que o meu tempo de 10km anterior.

Terminada a prova, voltamos a reunir-nos para a selfie final, fui para a fila da massagem e à gloria daquele momento seguiram-se vários dias de andar estranho e dificuldade em descer escadas.

Aprendi uma coisa muito importante nesta corrida que já deveria ter aprendido à muito tempo. Apesar de terem sido os meus 10km mais rápidos, não fiz os meus 5km mais rápidos nem o meu km mais rápido. Não foi uma coisa feita à maluca, a tentar puxar ao máximo. Foi algo mais natural com um sprint no final.

Os Campeões

Não posso terminar este artigo sobre algo que aconteceu nesta corrida, e que já havia referido no facebook, mas que partilho também aqui.
Sempre vi o desporto como um lugar de igualdade e inclusão. Por vezes não o é por causa de barreiras que somos nós a erguer, ou porque decidimos complicar coisas que são simples.
A organização desta corrida (a Atletas Net) desafiou o Leandro, que é cego desde a adolescência, para começar a correr. Contou para isso com a ajuda do Jorge, que serviu como guia em alguns treinos e na prova.

Não são os primeiros, nem serão os únicos, no entanto isso não retira mérito ao que fizeram. O Leandro mostrou-nos que com coragem, determinação e dedicação somos capazes de derrubar as barreiras e esquecer as limitações.

Esta é uma questão que transcende a corrida e se aplica a todos os campos da nossa vida, temos de ter a força, a coragem e a determinação para esquecer que temos barreiras e limitações e desafiar a vida. Temos de apoiar, acompanhar e motivar quem o faz, como fez o Jorge. Ou simplesmente lançar o desafio como fez a Atletas Net.

Esperemos que haja aqui um efeito multiplicador, e que tenha servido de exemplo para outras pessoas com barreiras a derrubar e limitações a ultrapassar.

O Leandro e o Jorge. Foto: Afonso Estevão

O Leandro e o Jorge. Foto: Afonso Estevão

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